Rimas Incertas

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Hoje tá chovendo, o céu fechou, até trovejou. Relâmpago clareou, me cegou, como teus olhos negros, que com faíscas brilhantes reluziam em mim. O frio me fez sentir falta do calor, aquele que senti toda vez que tua mão me tocou. Coisa de pele, sempre foi. Pareceu amor por algum tempo, te quis tanto que chegou a doer. Quis.. não tô dizendo que não quero mais. Esse querer não passa com a chuva que cai. A chuva só aumenta essa vontade de você. Mas não me disponho a esperar. Não estou ao seu dispôr. Mas disponha caso queira partilhar seus versos, em especial aqueles que não vai mostrar pra mais ninguém. Por falar em versos, ainda não sei rimar direito. Escuto rap pra ver se agrego, mas a merda do rap só me lembra nosso apego, nossa sintonia, a perfeita simetria que nunca existiu verazmente. Ainda gosto do teu gosto, mas agora é diferente. Não me dilacero pela tua ausência, nem deixo de dormir por falta de um papo bom. Aos poucos tô conhecendo aquela tal força que tu disse que eu tinha, só que eu ainda não sabia. Tô longe do empoderamento, é verdade. Mas vou me fortalecendo a cada dia, a cada partida, a cada abrir de olhos. Você é que nunca verá minha capacidade. Tá longe demais, e assim espero que permaneça.

R. Muniz

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Dia claro esquenta coração frio
Dia de chuva faz escorrer as águas do rio
A esperança se faz presente no coração do desamparado
Que por sua cor e condição é condenado

Andei sozinha nessa noite procurei a lua
Vi os céus se fechando prometi ficar na rua
Vou conforme as ondas que o barco flua
As lágrimas que escorria se juntaram com chuva

E se a gente não pensar só no futuro
Viver o aqui e agora derrubando esses muros
Te amei com toda força meu amor eu juro
Mas preciso deixar meu coração puro

Solidão me da colo: vem que eu te cuido
Te da sombra e esperança, bem, te dou de tudo
O nada me alimenta, mas n me dá conforto
Se o nada for o tudo? Tudo nascerá morto!

Eu cego com meu ego mas não trago liberdade
Se eu te dê o incerto, não me traga mil verdade
Me traga a incerteza de uma mente barulhenta
A beleza tá em mim essa foi minha sentença

Os dias nublado trás a reflexão do teu posto
Se depender da vida as lágrima são imposto
Que vem suavemente sem precisar está exposto
Ninguém vai limpar as lágrima do teu rosto

Autor: Dário Ávila

Feridas

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Hoje me perguntaram por você, perguntaram por nós, pelo nosso velho amor. Você é aquela velha ferida que sempre é reaberta antes de cicatrizar totalmente; e toda vez que penso estar quase curada, alguém me vem com perguntas que reabrem essa dor.

Me perguntam se ainda sinto algo – claro que sinto, e sempre vou sentir. Outros ainda mais cruéis dizem achar que você ainda sente (isso é tão cruel). Quando as pessoas irão entender que sentimento alheio é coisa que não se deve mexer?

Esses comentário me machucam, ainda mais quando se trata do homem que teve de mim os sentimentos mais profundos, sinceros, intensos e puros.

Você seguiu, fez bem. Eu parei e fiquei olhando até você sumir. Até agora estou aqui, parada na rua dos sentimentos, assustada, esperando que alguém me dê uma carona e me tire daqui. Mas parece que permanecerei aqui sentada, esperando por um longo tempo, ainda cuidando dessa ferida que não sara.

R. Muniz

 

Ps.: Aqui é escuro e frio desde a sua partida, e isso tem atrasado minha cura.

Soledad

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Me preparei tanto pra esse momento, mas quando chegou me assustei, sinto-me apavorada com essa solidão.

Tudo em volta é escuro e frio. Por mais que exista alguém(pois sempre existe), não consigo ver.

O medo me cega

As lágrimas embaçam minha visão

tudo que vejo (sinto) é um mundo escuro

sem amor

sem amigos

sem ouvidos para ouvir(entender) meus dramas.

Nunca pensei que meu riso se tornaria tão escasso.

Vivo um dia de cada vez

sabendo que o próximo pode ser pior

Porém, esperando que seja melhor

mais fácil

digno de meus sorrisos.

 

R. Muniz

Pássaro Azul

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Hoje eu preciso falar sobre o que eu sinto. Não tem como prender esse pássaro azul que mora em meu peito. 

Penso, penso, penso…. 

Só chego a conclusão de que, o que eu sinto pode acabar me matando. Como homem bomba, carrego explosivos em meu peito. Sentimentos que não são nem agressivos, nem destrutivos; mas que a opinião dos outros sempre os fizeram parecer ruins demais.

Estou numa prisão em que os mais fortes prevalecem, os racionais ditam as regras. O que comer, o que vestir, o que falar e até o que sentir. Há muito a razão tem tomado conta de tudo. Os mais fracos só tem o direito de calar, abafar os sentidos, e fingir ser racionais. Fingir amar quem não amamos só por ser o aceitável? Fingir ser feliz, só por mera aparência? Isso basta pra vocês? Até quando? Até quando irão sorrir escondendo a dor? 

Querem dizer quem devo amar, mas sinto muito, não posso aceitar isso por nem sequer um dia mais. Na verdade a única coisa que faço agora é sentir muito. 

Sinto muito o que a muito tempo não sentia por medo de desafiar a razão. E muitos me dirão: Você vai sofrer sérias consequências. 

Sim, eu sei. E sinto muito mesmo assim. Esse pássaro azul que vive em meu peito já cansou de ficar engaiolado, e agora quer voar. 

R. Muniz

 

(Inspirada por “O pássaro Azul” de Bukowski)

Escolhas

escolhas

A vida é feita de escolhas

sim ou não

isso ou aquilo

hoje ou amanhã

amar ou não

sair ou ficar trancada no quarto.

 

E você vive na pressão de escolher o certo. Só não sabe se tá querendo escolher o certo pra si ou pras pessoas em volta.

Infelizmente você nunca vai agradar a todos. Difícil agradar as pessoas, e se você vive querendo agradar aos outros, de quem são as escolhas que você faz?  Pode realmente dizer que escolheu isso? Pode realmente dizer que viveu?

Suas escolhas formam o ser humano que você é, seus amores, seus ódios, suas cicatrizes, tudo é um resultado do que decidiu fazer.  Sua vida, sua história, suas marcas, suas quedas, suas escolhas. Só você pode construir isso. Ninguém deveria decidir por você. Se não tens o mérito por suas escolhas, pode realmente dizer que esta é a sua historia, sua vida?

R. Muniz

Juventude

 

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Sou um pecador mas me sinto puro

Que nem a estrela que só brilha no escuro

Não sou ator que com sua arte ganha fama

Sou a pérola suja que a tarde se encontra na lama

Olhem os acertos de quem as vezes erra

Porque culpa a gente se vocês promovem a guerra?

A incerteza bate forte a gente anda chutando lata

Sua certeza é nossa morte a cada dia você me mata

Emprego que não quero

Sonhos que não espero

Tenho um caminho para percorrer

Correr de carro ou a pé correr

Sentir o vento da liberdade

O que dentro do peito arde

Quando se tem muita paixão

É difícil ter o pé no chão

Leva o tempo todo em sonhar

Mas com tanto imã te puxando é difícil voar

Na luta contra um desejo insano

O que há entre o santo e o profano

Brilha uma vida no sorriso

Alegria plena ou só riso

Olha nos olhos de quem tem uma vida

E saiba decifrar sonhos que até Deus duvida.

R. Muniz e D. Ávila