Ampulheta

ampulheta

 

O tempo corre tão veloz

Tudo acontece depressa

Passam dias, meses, anos

E a vida só regressa

Tô cansada desse caos

Tô cansada das mentiras

No balançar do relógio, as mãos

Cansam de escrever palavras repetidas

Quantas vezes eu sorri

Tantas vezes eu chorei

Ninguém viu o que eu vi

No fundo do poço onde parei

Trancada nesse quarto escuro

Vendo o relógio passar

Oh deus! Por quem mais eu juro

Se agora parece que só me resta parar?

Parar de escrever, não!

Parar de dá satisfação

Escrever é meu legado, missão

Parem de segurar minha mão

Pois o tempo tá passando

Nada do que eu disse pra você serviu

Acho que tô regressando

Vivo escondida a vida que ninguém viu

Chegou ao fim, afundou na sarjeta

Já era, acabou seu tempo

Não adianta virar a ampulheta

Adiando o fim, evitando lamento

R. Muniz

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Domingo

casal

Tava aqui pensando, sonhando com nós dois

numa tarde de domingo

deitados na cama escrevendo poesias

conversando sobre a vida e sobre as coisas profundas das quais você gosta de falar

(que na maioria das vezes nem entendo)

Somos muito diferentes, mas a gente se entende,

Você decifra meus olhares, meus gestos

E sabe a hora certa de fazer do jeito certo pra me deixar feliz

Quando penso nisso, não imagino nada em volta.

Apenas eu, você, uma bagunça de papéis e canetas em cima da cama

E nossos versos surgindo intercalando beijos e entrelaços.

R. Muniz

 

Sua História

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Todos os dias pessoas passam pela sua vida, mas raramente você sente que vale a pena.

Está esperando demais pra viver grandes histórias, enquanto pequenos momentos esperam por sua coragem.

Junte quantos “pequenos momentos” você julgou não valer a pena, por medo de se arriscar. Se juntar cada um desses momentos, verá que perdeu pequenos capítulos de uma história incrível… A sua!

Não tenha medo. Construa uma grande história, não espere que os outros te entreguem o roteiro que você deve viver.

R. Muniz

Mendez

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Nada sabe sobre a vida

      Parvo ser humano buscando

              O inalcançável

O mais alto e elevado posto

Dando valor ao que é vil

             O que de mais ordinário

   Se viu

                        Tens nas mãos e no coração

Coração que já não sabe a diferença

    Entre Damas e damas

Jogador biltre que no amor

       Usou de blefe sem nenhum pudor

Os tempos de andanças

     Buscando incansavelmente o

               Inatingível

Fizeram-te perder a temperança

               O amor

               O riso

               A vida

 

 

Raissa Muniz

Vassalo

vassalo

Pouco fazemos dieta

Muito falamos, é a bola da vez

Mas no amor não vivemos de merreca

Pouco importa agora o que eu fiz, o que cê fez

Foi pouco tempo, o fim foi duro

Pouco caso, muito cinismo

Me diz agora, qual foi seu lucro?

Era seu objetivo, tipo onda de capitalismo

Te jurei fidelidade como um vassalo

Com superioridade me dominou

Meu benefício era amá-lo

De um grande precipício me derrubou

Era um nobre cavalheiro, só no meu sonho

Gentil, amigável, pura nobreza

Ao seus caprichos e vontade me exponho

Sarcasmo e egoísmo são a sua natureza.

 

R. Muniz

Só uma crítica

precipício

Para todos os lados que olho vejo um mundo altamente crítico. Todos cheios de razão.

Engraçado que este é o mesmo mundo que fala tanto em aceitação e respeito, mas que está constantemente impondo suas opiniões, uns aos outros. Daí você se sente pressionado a ser crítico também, não aceitar ou se moldar.

Mas as pessoas esquecem do equilíbrio.

Eu, sinceramente, não faço questão de aguçar meu senso crítico da vida e do mundo. Sempre gostei de observar, e não opinar. Opinar me traz a responsabilidade de sustentar argumentos, me obriga a ser A ou B. Francamente, eu prefiro ser eu, apenas. Sem pressão, sem perfeição, sem criticar, sem opinar, sem movimentar ações. Prefiro apenas ser e deixar o outro ser também.

Não é meu dever, muito menos direito, trazer juízo e condenação ou buscar razões ao que o outro pensa.

R. Muniz

 

P.s.: Isso parece uma crítica aos críticos?

Mal Necessário

andando-sozinha

Sempre foi difícil, nunca pensei que seria fácil. Tantas idas e vindas sem muitas mudanças. Tornou-se um ciclo vicioso, e como todo vício, tornou-se necessário. Uma necessidade incontrolável, um vício irresistível, que o passar do tempo só aumentou.

Dizem que o tempo traz consigo a experiencia, e com a experiencia se aprende a viver, torna-se mais sábio. Mas não foi assim no meu caso, não com você. Pois nós nunca fomos verdade, também não fomos mentira; fomos uma série de desencontros, e no fim eu sempre estive só. Apenas eu, e nunca houve ‘nós’ quando precisei.

Eu precisei de um apoio, de um abraço, um beijo, precisei que você ficasse pra me segurar pela mão e caminhar comigo. Seria uma longa estrada e um caminho seguro. Agora tem sido ainda mais difícil, a estrada está mais tortuosa e o caminho mais escuro a medida que sigo sozinha.

Estou seguindo sozinha porque muitas pessoas passam por mim, mas neste caminho tão escuro não consigo olhar nos olhos de ninguém, e ninguém me olha, ninguém nota o quanto necessito, ninguém me dá a mão e nenhum ser é capaz de me dá segurança.

Esse mal nunca deixou de ser necessário, ninguém me faz esquecer a dor e o bem que me fez, pra que eu possa seguir firme. Nenhum tropeço me fortaleceu e todo esse tempo não me tornou mais sábia.

Só estou mais presa a você , o que me mata e me atrai. Um vício, uma necessidade, me faz mal e eu sigo em busca da cura. Todo mal tem o bem pra combater, então o mal que me faz há de ser sanado – um dia.

R. Muniz