Retrato

rute retratoA silhueta era de boneca que ainda não saíra da caixa

Os cabelos aveludados, as vezes emaranhados nas ideias tortas e confusas

Nas mãos uma rosa, q ainda não deixara de ser rosa

Seu semblante era turvo, opaco, ao mesmo tempo tênue

O olhar pungente na janela em busca de algo…

O moço da estação de trem sorrira um sorriso ledo, enigmático

Mas ela via além, extra-olhos

O moço recolhera-se a sua insignificância e reverenciara o guarda

Mas agora ela preocupara-se com a rosa

Precisava de água para completar o seu ciclo de amadurecimento

As mãos frias não poderiam lhe dá os nutrientes q precisava

Mãos misteriosas, cheias de espinhos e flores

Ela gostava de lírios, tinha paixão por lírios

Sobre as pernas, uma bolsa, livros existenciais, fotos, mostrando a meninice e o desabrochar da rosa.

Carregava ainda consigo um espelho partido Partido feito o que tinha lá dentro, estilhaçado…

Ela só queria sentir que ele estava ao seu lado quando o sol invadisse as janelas rapidamente

O rosto lívido agora contraíra-se

Tomada por sensações latentes…

Os olhos fixos no nada

Espremia a rosa

O látex branco saíra por entre os dedos

Sujara a alma…

Os espinhos a feriam.

(Rute Lima)

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