Juventude

 

juventude issa

Sou um pecador mas me sinto puro

Que nem a estrela que só brilha no escuro

Não sou ator que com sua arte ganha fama

Sou a pérola suja que a tarde se encontra na lama

Olhem os acertos de quem as vezes erra

Porque culpa a gente se vocês promovem a guerra?

A incerteza bate forte a gente anda chutando lata

Sua certeza é nossa morte a cada dia você me mata

Emprego que não quero

Sonhos que não espero

Tenho um caminho para percorrer

Correr de carro ou a pé correr

Sentir o vento da liberdade

O que dentro do peito arde

Quando se tem muita paixão

É difícil ter o pé no chão

Leva o tempo todo em sonhar

Mas com tanto imã te puxando é difícil voar

Na luta contra um desejo insano

O que há entre o santo e o profano

Brilha uma vida no sorriso

Alegria plena ou só riso

Olha nos olhos de quem tem uma vida

E saiba decifrar sonhos que até Deus duvida.

R. Muniz e D. Ávila

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Ampulheta

ampulheta

 

O tempo corre tão veloz

Tudo acontece depressa

Passam dias, meses, anos

E a vida só regressa

Tô cansada desse caos

Tô cansada das mentiras

No balançar do relógio, as mãos

Cansam de escrever palavras repetidas

Quantas vezes eu sorri

Tantas vezes eu chorei

Ninguém viu o que eu vi

No fundo do poço onde parei

Trancada nesse quarto escuro

Vendo o relógio passar

Oh deus! Por quem mais eu juro

Se agora parece que só me resta parar?

Parar de escrever, não!

Parar de dá satisfação

Escrever é meu legado, missão

Parem de segurar minha mão

Pois o tempo tá passando

Nada do que eu disse pra você serviu

Acho que tô regressando

Vivo escondida a vida que ninguém viu

Chegou ao fim, afundou na sarjeta

Já era, acabou seu tempo

Não adianta virar a ampulheta

Adiando o fim, evitando lamento

R. Muniz

Mendez

desvendar_realidade

Nada sabe sobre a vida

      Parvo ser humano buscando

              O inalcançável

O mais alto e elevado posto

Dando valor ao que é vil

             O que de mais ordinário

   Se viu

                        Tens nas mãos e no coração

Coração que já não sabe a diferença

    Entre Damas e damas

Jogador biltre que no amor

       Usou de blefe sem nenhum pudor

Os tempos de andanças

     Buscando incansavelmente o

               Inatingível

Fizeram-te perder a temperança

               O amor

               O riso

               A vida

 

 

Raissa Muniz

Vassalo

vassalo

Pouco fazemos dieta

Muito falamos, é a bola da vez

Mas no amor não vivemos de merreca

Pouco importa agora o que eu fiz, o que cê fez

Foi pouco tempo, o fim foi duro

Pouco caso, muito cinismo

Me diz agora, qual foi seu lucro?

Era seu objetivo, tipo onda de capitalismo

Te jurei fidelidade como um vassalo

Com superioridade me dominou

Meu benefício era amá-lo

De um grande precipício me derrubou

Era um nobre cavalheiro, só no meu sonho

Gentil, amigável, pura nobreza

Ao seus caprichos e vontade me exponho

Sarcasmo e egoísmo são a sua natureza.

 

R. Muniz

Espera

issa

Na fila do banco

No caixa do supermercado

No guichê pra pagar conta

O sistema tá lento?

A operadora de caixa é novata?

Ou minha paciência que tá esgotada?

Aquele tio que ficou de vir pro almoço de domingo

No banco da praça esperando o amigo pra tomar um café

A turma que marcou um rolê

As pessoas estão sempre atrasadas?

Ou eu que sou adiantada?

O dia em que você disse que viria

O “até logo” que falamos (e não foi logo)

A espera por seu “oi, estou de volta!”

São muitos dias que passam?

Os meses estão rápidos e lentos ao mesmo tempo?

Minhas expectativas são muito frustradas?

Ou será meu coração desesperado?

R. Muniz

Tempo perdido / O próximo mês

images

Não, nós não temos tempo

Não temos tempo pra planejar

Não temos tempo pra pensar no amanhã

Não temos tempo pra esperar acontecer

 

Não há tempo pra esperar o próximo mês

Quando se vê, o próximo mês já é o mês passado

E todo plano feito

Agora está acabado

 

Sim, acabou a semana

Acabou o mês

Acabou o ano

E o que você fez?

 

 

Raissa Muniz (R. Muniz)

P.s:  O ano já está acabando, só falta o próximo mês.

Jamais Apaixonável

blog raissa

Queria ter uma única razão

Saber se algum dia poderia

Viver contigo uma paixão

Uma sensação nobre sentiria

Este ser carnal e mesquinho

Cheio de anseios, vontades

Mas tem um quê de carinho

Dando de si mera metade

Fantasia de ser tão real

Em meu sonho te vejo assim:

Impuro, ao mesmo tempo leal

Tirando sempre o que quer de mim

Desejo profundo, inigualável

Sinto de forma estranha, irreal

Sabendo que não és um ser apaixonável

Nem tampouco ideal.