Encarcerada

 

encarcerada

Uma prisão foi formada dentro de mim. Nela estão sentimentos, emoções, vontades… Cada um, por algum motivo qualquer, aparentou ser uma ameaça e foi detido. Não lembro se eu fui a culpada por isso.

Sentir o que eu sinto parece ser crime aqui fora; se as pessoas lessem todos os meus rascunhos, seria eu a encarcerada. Não estou eu presa em mim mesma com todos esses pensamentos sufocantes?
Sentir é um crime que poucos ousam cometer. Viemos pela conveniência do que é cabível, aceitável. Imprestáveis! Sua prisão é fraca, sua intolerância mata e sua justiça destruiu meu ser.
A verdade continua aqui em meu peito, mas meu julgamento só cabe a mim executar. Não decreto prisão perpétua ou pena de morte.
Liberdade! Me grita no peito.
Me livro de correntes, chicotes e celas.
Amo, sinto, vivo! Não se pode aprisionar sentimentos em um coração escancarado.
Raissa Muniz
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Vida

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Quero viver uma vida bem vivida

Sem controvérsia, sem contrapartida

Descer desse ônibus em qualquer esquina

Lembrar a grandeza de ser uma menina

“Tá na hora de crescer, mostrar maturidade”

“Não pode fazer isso, já passou da idade”

Pessoas adultas resolvem problemas

Eu só quero ser livre sem esse dilema

Estar aqui ou ali, quem se importa?

Tranquei o quarto, chorei, ninguém bateu na porta

Pergunta se tô bem pra cumprir protocolo

Se quero chorar nem oferece teu colo

Viver de verdade não depende do apoio alheio

Tu só depende da pessoa que te olha do espelho

Creio que ele me olha, lá de cima e sente dó

Tentei falar com ele, na garganta deu um nó

Quanto tempo ainda será que me resta?

No meu funeral, por favor, faça uma festa

Não deixo uma marca de que vivi aqui

Nada mais escreva na lápide, além de Jaz Aqui!

R. Muniz

Lá vai ela

lá vai ela

Ela vai,

Pés descalços no asfalto

Sempre olhando pro alto

A procura de Deus

Suplicando pelos seus

Ela vai,

Quer que ouçam seus gritos

Seu coração sempre aflito

Na confusão deste mundo

Mais um sentimento profundo

Ela vai,

Com toda a vontade de quem quer viver

Felicidade é tudo o que se quer ter

Você diz que é tolice expectativa na vida

Ela luta todo dia pra não ser vencida

A vida é arte

E eu sei pintar

Sofrer também faz parte

Na vida de quem quer amar.

 

Raissa Muniz

Arte de viver

Arte de viver

A vida é uma tela

Você é o artista

Escolha bem as cores

Faça a arte mais bela

Que seja bem egoísta

Com suas próprias dores

Preto, cinza, fosco

Mesmo estando no fundo do poço

Verde, laranja, amarelo

Com o brilho do teu sorriso mais belo

Marrom, roxo, rosa

Use o que sente em cada prosa

Azul, branco, vermelho

Se encante com o que ver no espelho

Crie sua arte

Não pra impressionar

Quem passa, olha e parte

Cada um com seu pensamento

Diferentes formas de ver

O maior artista do seu tempo

Não precisa aparecer na TV.

 

Raissa Muniz

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Dia claro esquenta coração frio
Dia de chuva faz escorrer as águas do rio
A esperança se faz presente no coração do desamparado
Que por sua cor e condição é condenado

Andei sozinha nessa noite procurei a lua
Vi os céus se fechando prometi ficar na rua
Vou conforme as ondas que o barco flua
As lágrimas que escorria se juntaram com chuva

E se a gente não pensar só no futuro
Viver o aqui e agora derrubando esses muros
Te amei com toda força meu amor eu juro
Mas preciso deixar meu coração puro

Solidão me da colo: vem que eu te cuido
Te da sombra e esperança, bem, te dou de tudo
O nada me alimenta, mas n me dá conforto
Se o nada for o tudo? Tudo nascerá morto!

Eu cego com meu ego mas não trago liberdade
Se eu te dê o incerto, não me traga mil verdade
Me traga a incerteza de uma mente barulhenta
A beleza tá em mim essa foi minha sentença

Os dias nublado trás a reflexão do teu posto
Se depender da vida as lágrima são imposto
Que vem suavemente sem precisar está exposto
Ninguém vai limpar as lágrima do teu rosto

Autor: Dário Ávila

Soledad

soledad

Me preparei tanto pra esse momento, mas quando chegou me assustei, sinto-me apavorada com essa solidão.

Tudo em volta é escuro e frio. Por mais que exista alguém(pois sempre existe), não consigo ver.

O medo me cega

As lágrimas embaçam minha visão

tudo que vejo (sinto) é um mundo escuro

sem amor

sem amigos

sem ouvidos para ouvir(entender) meus dramas.

Nunca pensei que meu riso se tornaria tão escasso.

Vivo um dia de cada vez

sabendo que o próximo pode ser pior

Porém, esperando que seja melhor

mais fácil

digno de meus sorrisos.

 

R. Muniz

Pássaro Azul

pássaros

Hoje eu preciso falar sobre o que eu sinto. Não tem como prender esse pássaro azul que mora em meu peito. 

Penso, penso, penso…. 

Só chego a conclusão de que, o que eu sinto pode acabar me matando. Como homem bomba, carrego explosivos em meu peito. Sentimentos que não são nem agressivos, nem destrutivos; mas que a opinião dos outros sempre os fizeram parecer ruins demais.

Estou numa prisão em que os mais fortes prevalecem, os racionais ditam as regras. O que comer, o que vestir, o que falar e até o que sentir. Há muito a razão tem tomado conta de tudo. Os mais fracos só tem o direito de calar, abafar os sentidos, e fingir ser racionais. Fingir amar quem não amamos só por ser o aceitável? Fingir ser feliz, só por mera aparência? Isso basta pra vocês? Até quando? Até quando irão sorrir escondendo a dor? 

Querem dizer quem devo amar, mas sinto muito, não posso aceitar isso por nem sequer um dia mais. Na verdade a única coisa que faço agora é sentir muito. 

Sinto muito o que a muito tempo não sentia por medo de desafiar a razão. E muitos me dirão: Você vai sofrer sérias consequências. 

Sim, eu sei. E sinto muito mesmo assim. Esse pássaro azul que vive em meu peito já cansou de ficar engaiolado, e agora quer voar. 

R. Muniz

 

(Inspirada por “O pássaro Azul” de Bukowski)