Ampulheta

ampulheta

 

O tempo corre tão veloz

Tudo acontece depressa

Passam dias, meses, anos

E a vida só regressa

Tô cansada desse caos

Tô cansada das mentiras

No balançar do relógio, as mãos

Cansam de escrever palavras repetidas

Quantas vezes eu sorri

Tantas vezes eu chorei

Ninguém viu o que eu vi

No fundo do poço onde parei

Trancada nesse quarto escuro

Vendo o relógio passar

Oh deus! Por quem mais eu juro

Se agora parece que só me resta parar?

Parar de escrever, não!

Parar de dá satisfação

Escrever é meu legado, missão

Parem de segurar minha mão

Pois o tempo tá passando

Nada do que eu disse pra você serviu

Acho que tô regressando

Vivo escondida a vida que ninguém viu

Chegou ao fim, afundou na sarjeta

Já era, acabou seu tempo

Não adianta virar a ampulheta

Adiando o fim, evitando lamento

R. Muniz

Anúncios