Minhas Razões

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O desejo me cega

A razão me acompanha

Uma dor que me cerca

Como criança que apanha

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Sofri em silêncio

Um grito no peito

Ninguém ouve, lamento

Acha que perdi o respeito?

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Passei dias lutando

Noites em claro

Caindo e levantando

Me perdendo é que me acho

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Cada passo seguro que dei

Me trouxe até aqui

Senti bem os espinhos em que pisei

Todas as vezes que sorri

Raissa Muniz

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Vagalume

 

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As luzes se apagaram

Eu vi algo bem ali no canto

Vagalumes me cercaram

Meus olhos grandes de encanto

Faz frio aqui

Sinto saudade do calor

Como num filme que vi

As luzes do mundo me trazem dor

Apaga tudo de novo

Não quero ver os espelhos

Sombras cobrem meu rosto

Meus olhos estão vermelhos

Corri até aqui

Escrevi até cair

Desculpa, preciso ir.

R. MUNIZ

Encarcerada

 

encarcerada

Uma prisão foi formada dentro de mim. Nela estão sentimentos, emoções, vontades… Cada um, por algum motivo qualquer, aparentou ser uma ameaça e foi detido. Não lembro se eu fui a culpada por isso.

Sentir o que eu sinto parece ser crime aqui fora; se as pessoas lessem todos os meus rascunhos, seria eu a encarcerada. Não estou eu presa em mim mesma com todos esses pensamentos sufocantes?
Sentir é um crime que poucos ousam cometer. Viemos pela conveniência do que é cabível, aceitável. Imprestáveis! Sua prisão é fraca, sua intolerância mata e sua justiça destruiu meu ser.
A verdade continua aqui em meu peito, mas meu julgamento só cabe a mim executar. Não decreto prisão perpétua ou pena de morte.
Liberdade! Me grita no peito.
Me livro de correntes, chicotes e celas.
Amo, sinto, vivo! Não se pode aprisionar sentimentos em um coração escancarado.
Raissa Muniz

Direito de Ser Humano

rosa com correntes

Tu tem direito à liberdade
Todos nascemos livres
Contigo nasceu dignidade
Seja da vida um ourives
Não é a cor da tua pele
Raça, cor, religião
Nada te define, te fere
Somos uma legião
Artigos definem teus direitos
Respeito garantido pela ciência
Ditam o que devem ser feito
Porque o homem não usa a consciência?
“Somos todos iguais”, me disseram
“Não existe distinção”
Pergunta pra’queles que trouxeram
Nos ombros a escravidão
Pra dor alheia fecham os olhos
Tá na lei, é só isso
Direitos humanos são Abrolhos
Na real somos todos omissos
Raissa Muniz

Lápide

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Quero viver uma vida bem vivida

Sem controvérsia, sem contrapartida

Descer desse ônibus em qualquer esquina

Lembrar a grandeza de ser uma menina

“Tá na hora de crescer, mostrar maturidade”

“Não pode fazer isso, já passou da idade”

Pessoas adultas resolvem problemas

Eu só quero ser livre sem esse dilema

Estar aqui ou ali, quem se importa?

Tranquei o quarto, chorei, ninguém bateu na porta

Pergunta se tô bem pra cumprir protocolo

Se quero chorar nem oferece teu colo

Viver de verdade não depende do apoio alheio

Tu só depende da pessoa que te olha do espelho

Creio que ele me olha, lá de cima e sente dó

Tentei falar com ele, na garganta deu um nó

Quanto tempo ainda será que me resta?

No meu funeral, por favor, faça uma festa

Não deixo uma marca de que realmente vivi

Nada mais escreva na lápide, além de Jaz Aqui!

R. Muniz

Espelho

espelho

Euforia, abraços, risadas

Minha alma agasalhada

Bem diria ser felicidade

Ser feliz não é prazer, é necessidade

Ser feliz é um peso

Sorrir é minha obrigação

Ensaio em frente ao espelho

Sigo com minha vocação

Sou mais forte do que pensava

Quando tudo isso não pesava

Agora carrego no peito

O grito da dor, está feito

Cada palavra mal dita

Cada ausência sentida

Cada dose tragada

Na solidão afundada

Meu mal agora faz bem

Aquelas palavras escritas

Não escutei de ninguém

Morri varias vezes, revivi

Noites sem poder dormir

Arrastei correntes em lamento

Você viu meu sofrimento?

 

Raissa Muniz

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Dia claro esquenta coração frio
Dia de chuva faz escorrer as águas do rio
A esperança se faz presente no coração do desamparado
Que por sua cor e condição é condenado

Andei sozinha nessa noite procurei a lua
Vi os céus se fechando prometi ficar na rua
Vou conforme as ondas que o barco flua
As lágrimas que escorria se juntaram com chuva

E se a gente não pensar só no futuro
Viver o aqui e agora derrubando esses muros
Te amei com toda força meu amor eu juro
Mas preciso deixar meu coração puro

Solidão me da colo: vem que eu te cuido
Te da sombra e esperança, bem, te dou de tudo
O nada me alimenta, mas n me dá conforto
Se o nada for o tudo? Tudo nascerá morto!

Eu cego com meu ego mas não trago liberdade
Se eu te dê o incerto, não me traga mil verdade
Me traga a incerteza de uma mente barulhenta
A beleza tá em mim essa foi minha sentença

Os dias nublado trás a reflexão do teu posto
Se depender da vida as lágrima são imposto
Que vem suavemente sem precisar está exposto
Ninguém vai limpar as lágrima do teu rosto

Autor: Dário Ávila