Feridas

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Hoje me perguntaram por você, perguntaram por nós, pelo nosso velho amor. Você é aquela velha ferida que sempre é reaberta antes de cicatrizar totalmente; e toda vez que penso estar quase curada, alguém me vem com perguntas que reabrem essa dor.

Me perguntam se ainda sinto algo – claro que sinto, e sempre vou sentir. Outros ainda mais cruéis dizem achar que você ainda sente (isso é tão cruel). Quando as pessoas irão entender que sentimento alheio é coisa que não se deve mexer?

Esses comentário me machucam, ainda mais quando se trata do homem que teve de mim os sentimentos mais profundos, sinceros, intensos e puros.

Você seguiu, fez bem. Eu parei e fiquei olhando até você sumir. Até agora estou aqui, parada na rua dos sentimentos, assustada, esperando que alguém me dê uma carona e me tire daqui. Mas parece que permanecerei aqui sentada, esperando por um longo tempo, ainda cuidando dessa ferida que não sara.

R. Muniz

 

Ps.: Aqui é escuro e frio desde a sua partida, e isso tem atrasado minha cura.

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Soledad

soledad

Me preparei tanto pra esse momento, mas quando chegou me assustei, sinto-me apavorada com essa solidão.

Tudo em volta é escuro e frio. Por mais que exista alguém(pois sempre existe), não consigo ver.

O medo me cega

As lágrimas embaçam minha visão

tudo que vejo (sinto) é um mundo escuro

sem amor

sem amigos

sem ouvidos para ouvir(entender) meus dramas.

Nunca pensei que meu riso se tornaria tão escasso.

Vivo um dia de cada vez

sabendo que o próximo pode ser pior

Porém, esperando que seja melhor

mais fácil

digno de meus sorrisos.

 

R. Muniz

Pássaro Azul

pássaros

Hoje eu preciso falar sobre o que eu sinto. Não tem como prender esse pássaro azul que mora em meu peito. 

Penso, penso, penso…. 

Só chego a conclusão de que, o que eu sinto pode acabar me matando. Como homem bomba, carrego explosivos em meu peito. Sentimentos que não são nem agressivos, nem destrutivos; mas que a opinião dos outros sempre os fizeram parecer ruins demais.

Estou numa prisão em que os mais fortes prevalecem, os racionais ditam as regras. O que comer, o que vestir, o que falar e até o que sentir. Há muito a razão tem tomado conta de tudo. Os mais fracos só tem o direito de calar, abafar os sentidos, e fingir ser racionais. Fingir amar quem não amamos só por ser o aceitável? Fingir ser feliz, só por mera aparência? Isso basta pra vocês? Até quando? Até quando irão sorrir escondendo a dor? 

Querem dizer quem devo amar, mas sinto muito, não posso aceitar isso por nem sequer um dia mais. Na verdade a única coisa que faço agora é sentir muito. 

Sinto muito o que a muito tempo não sentia por medo de desafiar a razão. E muitos me dirão: Você vai sofrer sérias consequências. 

Sim, eu sei. E sinto muito mesmo assim. Esse pássaro azul que vive em meu peito já cansou de ficar engaiolado, e agora quer voar. 

R. Muniz

 

(Inspirada por “O pássaro Azul” de Bukowski)

Escolhas

escolhas

A vida é feita de escolhas

sim ou não

isso ou aquilo

hoje ou amanhã

amar ou não

sair ou ficar trancada no quarto.

 

E você vive na pressão de escolher o certo. Só não sabe se tá querendo escolher o certo pra si ou pras pessoas em volta.

Infelizmente você nunca vai agradar a todos. Difícil agradar as pessoas, e se você vive querendo agradar aos outros, de quem são as escolhas que você faz?  Pode realmente dizer que escolheu isso? Pode realmente dizer que viveu?

Suas escolhas formam o ser humano que você é, seus amores, seus ódios, suas cicatrizes, tudo é um resultado do que decidiu fazer.  Sua vida, sua história, suas marcas, suas quedas, suas escolhas. Só você pode construir isso. Ninguém deveria decidir por você. Se não tens o mérito por suas escolhas, pode realmente dizer que esta é a sua historia, sua vida?

R. Muniz

Ampulheta

ampulheta

 

O tempo corre tão veloz

Tudo acontece depressa

Passam dias, meses, anos

E a vida só regressa

Tô cansada desse caos

Tô cansada das mentiras

No balançar do relógio, as mãos

Cansam de escrever palavras repetidas

Quantas vezes eu sorri

Tantas vezes eu chorei

Ninguém viu o que eu vi

No fundo do poço onde parei

Trancada nesse quarto escuro

Vendo o relógio passar

Oh deus! Por quem mais eu juro

Se agora parece que só me resta parar?

Parar de escrever, não!

Parar de dá satisfação

Escrever é meu legado, missão

Parem de segurar minha mão

Pois o tempo tá passando

Nada do que eu disse pra você serviu

Acho que tô regressando

Vivo escondida a vida que ninguém viu

Chegou ao fim, afundou na sarjeta

Já era, acabou seu tempo

Não adianta virar a ampulheta

Adiando o fim, evitando lamento

R. Muniz

Só uma crítica

precipício

Para todos os lados que olho vejo um mundo altamente crítico. Todos cheios de razão.

Engraçado que este é o mesmo mundo que fala tanto em aceitação e respeito, mas que está constantemente impondo suas opiniões, uns aos outros. Daí você se sente pressionado a ser crítico também, não aceitar ou se moldar.

Mas as pessoas esquecem do equilíbrio.

Eu, sinceramente, não faço questão de aguçar meu senso crítico da vida e do mundo. Sempre gostei de observar, e não opinar. Opinar me traz a responsabilidade de sustentar argumentos, me obriga a ser A ou B. Francamente, eu prefiro ser eu, apenas. Sem pressão, sem perfeição, sem criticar, sem opinar, sem movimentar ações. Prefiro apenas ser e deixar o outro ser também.

Não é meu dever, muito menos direito, trazer juízo e condenação ou buscar razões ao que o outro pensa.

R. Muniz

 

P.s.: Isso parece uma crítica aos críticos?

Mal Necessário

andando-sozinha

Sempre foi difícil, nunca pensei que seria fácil. Tantas idas e vindas sem muitas mudanças. Tornou-se um ciclo vicioso, e como todo vício, tornou-se necessário. Uma necessidade incontrolável, um vício irresistível, que o passar do tempo só aumentou.

Dizem que o tempo traz consigo a experiencia, e com a experiencia se aprende a viver, torna-se mais sábio. Mas não foi assim no meu caso, não com você. Pois nós nunca fomos verdade, também não fomos mentira; fomos uma série de desencontros, e no fim eu sempre estive só. Apenas eu, e nunca houve ‘nós’ quando precisei.

Eu precisei de um apoio, de um abraço, um beijo, precisei que você ficasse pra me segurar pela mão e caminhar comigo. Seria uma longa estrada e um caminho seguro. Agora tem sido ainda mais difícil, a estrada está mais tortuosa e o caminho mais escuro a medida que sigo sozinha.

Estou seguindo sozinha porque muitas pessoas passam por mim, mas neste caminho tão escuro não consigo olhar nos olhos de ninguém, e ninguém me olha, ninguém nota o quanto necessito, ninguém me dá a mão e nenhum ser é capaz de me dá segurança.

Esse mal nunca deixou de ser necessário, ninguém me faz esquecer a dor e o bem que me fez, pra que eu possa seguir firme. Nenhum tropeço me fortaleceu e todo esse tempo não me tornou mais sábia.

Só estou mais presa a você , o que me mata e me atrai. Um vício, uma necessidade, me faz mal e eu sigo em busca da cura. Todo mal tem o bem pra combater, então o mal que me faz há de ser sanado – um dia.

R. Muniz